Importadora de Sucesso: Conheça Cris Arcangeli

Tempo de leitura: 18 minutos

A maioria das pessoas acha que grandes empreendedores chegaram onde estão por mera sorte ou por algum outro motivo, mas não fazem ideia do que passaram, e um exemplo claro disso é a Cris Arcangeli, uma importadora de sucesso.

Ela mesmo diz que foi preciso se reinventar porque passou por momentos muito difíceis, mas que aprendeu muito mais com tudo isso do que com o próprio sucesso.

A história dela é uma prova de como vale a pena correr atrás de um sonho, por mais impossível que seja. Basta aproveitar as oportunidades e seguir em frente. No caso da Cris, fez algumas escolhas que não foram as melhores? Fez, mas isso não foi nenhum impeditivo para desistir, muito pelo contrário.

Se você está pensando em abrir um negócio ou até já tem um e está pensando em desistir, vale a pena conhecer em detalhes a trajetória de Cris Arcangeli, seus desafios e repetir, repetir e repetir, porque a Cris insiste nisso: fazer várias e várias vezes que em uma hora sai.

Cris atua no ramo de cosméticos desde 1996 e é uma das maiores influenciadoras no mercado da beleza. Independentemente de qual seja o seu negócio, a história da Cris serve de inspiração para qualquer empreendedor, especialmente aqueles que estão pensando em desistir.

Talvez você se identifique com algumas coisas e outras te sirvam de inspiração. Mas de qualquer maneira, é uma história de vida que todos deveriam conhecer. 

Aqui, você verá um pouco dos desafios, o que fez para superá-los, quais seus sonhos, suas conquistas e muito mais. Vale a pena dar uma olhada!

Como tudo começou: Os Desafios

Talvez você nunca tenha ouvido falar na Cris Arcangeli, mas é uma história inspiradora para qualquer empreendedor, independente do setor de mercado.

A Cris dançava balé desde os 11 anos de idade e acabou fazendo parte da turma de profissionais. Só que seu pai não a deixava viajar pelo Brasil para fazer apresentações (ela era a única que não ia).

Ela teve muitas oportunidades de morar fora do Brasil por conta do balé, mas sempre esbarrava no mesmo problema: seu pai não deixava. 

Quando acabou a escola, a ideia era trabalhar com seu pai, mas ele não achava uma boa ideia. Na verdade, ela queria fazer Medicina, mas mais uma vez, seu pai não a incentivou. Resolveu então fazer Odontologia. Quando estava perto de se formar, começou a estudar Homeopatia, porque era uma pessoa sempre preocupada com a qualidade de vida, com uma alimentação saudável, etc.

E aí veio a primeira ideia inovadora: associar Odontologia à Homeopatia. E sabe por que deu certo? Porque a Cris estava buscando algo em que ela acreditava. 

Ela se tornou uma profissional conhecida no meio, só que não estava mais feliz com aquilo…

Queria mais…

Sempre foi muito vaidosa e gostava muito de cosméticos. E como tinha um cabelo muito difícil de desembaraçar, se fez a pergunta: Por que não fazer um produto para cabelo usando essas plantas de Homeopatia?

Com isso em mente, partiu para criar um produto. Contratou um químico e começaram a desenvolver as fórmulas. Nada dava certo. Passaram cerca de seis meses e nenhuma fórmula, aí…

Apareceu uma oferta de compra de uma fábrica de cosméticos. Mas a Cris não tinha dinheiro. Como o dono não queria muito, porque na verdade a fábrica não tinha nada, basicamente eram os registros de produtos, e de fato, essa era a parte mais difícil. 

Sabe o que ela fez? Ofereceu a sua cadeira de dentista porque era a única coisa que tinha e disse que podia vender seu consultório. E assim começou.

Estava quase lançando um produto, mas ainda não tinha um nome para a marca, e ficou sendo PhytoErvas.

O problema é que estava no meio do plano Cruzado e a economia estava em um período muito ruim, inclusive faltava matéria prima. E mesmo com tudo isso, conseguiu lançar 3 produtos: um bronzeador em spray (o primeiro do Brasil), uma loção hidratante e um clareador de cabelos.

Tinha uma empresa em Manaus que importava as peças e enviava para uma fábrica no Rio que montava essas peças. 

Foram muitos desafios e foram justamente esses desafios que a fizeram seguir em frente. Provavelmente, outros empreendedores na mesma situação tinham desistido diante do primeiro obstáculo, mas a Cris não…

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Buscando uma saída

Então, quando a Cris começou, ela não tinha nenhum capital de giro. Pegou um empréstimo no banco, e como era uma época de congelamento de preços, os juros eram bem baixos, cerca de 2% ao ano.

Mas entrou o plano Bresser, e os juros que eram de 2% ao ano, deram um salto para 30%. Mesmo a empresa indo bem, com esses juros altos, ela ia acabar quebrando.

A Cris foi falar com seu pai e pedir ajuda. Na mesma hora, seu pai fez um cheque para ela quitar sua dívida. Chegando ao banco descobriu que pagava o empréstimo, mas não pagava os juros. 

Ela então pediu 90 dias para pagar os juros. Saindo de lá, ligou para todos os seus fornecedores e disse que estava começando, não tinha capital de giro e pediu um prazo maior para seus fornecedores. E deram o prazo…

E assim, o negócio foi indo. Depois disso, ela quitou a sua dívida e nunca mais fez outra. Ou seja, ela aprendeu a lição.

Qual era seu maior sonho

Naquela época, o maior sonho da Cris era vender na Mesbla, uma das maiores redes e além disso, era formadora de opinião, pois não existiam blogueiros e redes sociais. 

Foi várias e várias vezes até a Mesbla, até que um dia a compradora a atendeu. Mostrou todos os produtos, mas a compradora não estava prestando muita atenção. Nesse momento, toca o telefone e era a diretora, pedindo que a Cris fosse até a sala dela. 

Isso porque no momento em que a Cris estava mostrando os produtos, essa diretora, que era uma francesa, passou e viu a explicação, e adorou o conceito.

O produto tinha conceitos inovadores: não tinha sal, ingredientes naturais, e o resultado aparecia na primeira lavagem. 

A diretora disse que aquilo estava fazendo o maior sucesso na Europa, muitas marcas estavam se lançando nesse mercado de produtos naturais e que a Cris estava anos à frente de tudo o que estava sendo feito no Brasil.

E o que aconteceu? Fez um pedido para colocar em todas as 42 lojas da Mesbla. Mas como ela iria produzir todos aqueles produtos já que a fábrica era muito pequena?

Reuniu seus funcionários (que eram 5) e explicou a situação. Poderiam estar “ferrados”, mas era uma oportunidade que não poderia deixar escapar. Resultado, ela conseguiu entregar o pedido e pagar os fornecedores. Isto a ajudou fazer o capital de giro.

Só para você ter uma ideia, o lucro foi tão bom que construíram uma fábrica bem maior, que não durou mais do que 3 meses. Começou a crescer muito rápido e queria uma fábrica com cara de fábrica mesmo. 

Além de lançar produtos inovadores, passaram a usar novas estratégias para fazer vendas no mercado. E em apenas dois anos, Cris já estava com sua marca solidificada no mercado. 

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Sempre buscando tendências

Cris Arcangeli sempre buscou coisas novas e em 1991, com o governo Collor, que começou a liberar as importações. 

Ela queria uma linha de tratamento, mas achava que não tinha produtos suficientes para lançar uma linha de tratamento. Além disso, não adiantava de nada ter o melhor produto do mundo se ele não chegasse nos principais pontos de venda. 

Foi assim que resolveu ir para a França atrás de uma marca que ela gostava muito, que tinha o mesmo conceito da PhytoErvas, a Clarence. Viajou à França algumas vezes e explicou que o mercado ia abrir e seria o primeiro produto importado no Brasil. 

E assim que abriu, levou um plano para a empresa francesa. Por exemplo, se ela comprasse um produto por 1 dólar, iria vender por R$ 13,80, ou seja, só o multiplicador já era quase surreal. 

Ela tinha 3 pontos de venda, 2 em São Paulo e um no Rio de Janeiro. E o empresário francês achava que não ia ter venda. Mais uma vez, Cris insistiu, dizendo que ia vender sim, que brasileiro gosta de produto importado e que ia dar certo.

Cris sabia o que queria, era uma visionária

Ela pegou a distribuição de várias marcas, mercado de luxo mesmo, sendo que essa consumidora é muito mais exigente, ela dá valor ao detalhe. 

E esse mercado de importação é muito bom, mas ao mesmo tempo muito difícil. Por exemplo, temos o Paraguai que vende mercadorias que não são tão lícitas assim, e a pessoa que é um importador, paga todos os impostos, recolhe, investe, de repente vende 6 produtos e aquela outra pessoa vende 48. 

Cris montou uma loja para ensinar ao mercado como é uma perfumaria internacional. Para cada marca, a Cris tinha uma gerente de produto, ou seja, um novo conceito.

Além de treinar a equipe, o mercado consumidor precisava ser educado também, pois não estava muito acostumado com o mercado de cosméticos no Brasil.

Ela resolveu abrir o negócio de franquias, mas teve muitos problemas. Não conseguia fazer com que as franquias fizessem as lojas do jeito certo, não seguiam o padrão. Comprou algumas lojas e seguiu com a sua loja. Acontece que ela também não era muito de varejo, ela gosta de criar coisas. 

Cris olhava sempre para outros mercados e pensando em como trazer essas marcas de maneira diferenciada para o Brasil. E seu sonho era ter uma marca mundial, ver a PhytoErvas distribuída em todos os lugares. 

Até que patrocinou um desfile da agência Elite, cujo nome era Look of the year, e naquele ano passou a se chamar PhytoErvas Look of the year.

Evolução e Disciplina, chaves para o sucesso

Quando se trata de perfumes, Cris falava: Se não tivermos moda brasileira, nunca teremos um perfume com projeção internacional. 

E o sonho dela era ter uma marca de cosméticos de projeção internacional. E qual foi a ideia? 

Criar um desfile de moda, o PhytoErvas Fashion, com a presença dos principais estilistas do Brasil. Se amanhã um deles ficar famosos, ela se associaria a ele e exportaria a linha de cosméticos. Essa era a ideia.

E você sabia que o famoso São Paulo Fashion Week nasceu do PhytoErvas Fashion? Só para ter uma ideia de como o conceito era forte, fomentando todo esse mercado, dando espaço para milhares de marcas. Cris tinha 28 marcas internacionais, inclusive todas exclusivas. 

O maior problema que envolve a importação é a alta taxa tributária. Ela contratou uma empresa para fazer esse trabalho, só que até mesmo pela falta de conhecimento, acharam que os produtos que a Cris havia importado era contrabando, lavagem de dinheiro e por aí vai. 

Isso virou um processo que durou 25 anos, mas no final, todos foram inocentados. Diante de tudo isso, a Cris ficou meio desgostosa com esse mercado de importação, era um estresse diário. Por exemplo, acordava de manhã sem saber como seria o final do dia.

E à medida que as coisas iam acontecendo, ela foi ficando muito mais forte. E o esporte a ajudou muito, em especial no foco e disciplina.

Em 98, recebeu uma proposta de venda da PhytoErvas e era tudo o que a Cris queria. Depois de muitas dúvidas, acabou vendendo.

E agora? O que fazer da vida?

Ela continuou trabalhando por dois anos porque tinha um contrato de consultoria. A PhytoErvas ia ser colocada lá fora, tudo como tinha sido combinado.

E tudo a que eles tinham se proposto, não fizeram nada. E veio a dúvida: será que valeu a pena ter vendido? Ou seja, destruíram o conceito da marca. Resultado, acabaram com a marca.

Foi quando um grande empreendedor, dono da Hipermarcas, chamou a Cris para lançar uma marca com ele. Na verdade, ele queria recomprar a PhytoErvas, e ela, não, vamos criar uma outra. Lançou a marca Éh. Tudo novo!!! 

Segundo ela, quanto mais observador, mais inovador você é. E foi aí que surgiu a ideia do orgânico. Assim que cresce a inovação, que é um olhar para frente. A Éh foi a primeira linha de cosméticos orgânicos no Brasil.

Ela aprendeu que o lançamento é o que solidifica uma marca no mercado. No caso da Éh, foi o Cirque de Soleil.

A Cris, mais uma vez, vendeu a sua empresa para a Hypermarcas,  mas tinha que ficar 3 anos sem abrir nada. E ela pensou: o que vou fazer?

Fez programa de rádio, participou de programas na TV e foi convidada para comandar um programa, o Shark Tank Brasil, voltado para empreendedores. Era mais um desafio e é claro que a Cris aceitou.

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Em constante transformação

Cris sempre quis ir para o Japão e agora chegou o momento. Chegando lá, como era de costume, foi até uma farmácia e se viu diante de uma gôndola vendendo colágeno.

Voltando ao Brasil, veio com aquela ideia, como fabricar esse colágeno para consumir? 

Começaram a fazer testes e comprovaram diversos benefícios para a pele. Ela lançou os aliméticos, fez novamente um lançamento fenomenal, mas as pessoas achavam que era de cosméticos, mas não. 

A Beauty’in chegou no mercado com basicamente duas linhas de produtos: a beautydrink e a beautycandy.

Com uma boa estratégia de marketing, a Cris ganhou prêmios de inovação, como pela inovação em embalagens e de Atualidade Cosmética como Melhor Tratamento Corporal. O crescimento foi algo assustador.

Começou a se exportar e como se tornou a bebida do Fashion Week, ganhou o mundo.

A sociedade

Ela acabou fazendo uma sociedade e foi a pior coisa que ela fez. Só não quebrou porque tinha dinheiro guardado e recomprou a parte deles.

Tudo isso a obrigou a se adaptar ao mercado e ela mesmo diz: aprendeu muito mais com os momentos difíceis do que com as vitórias.

Ela mesmo diz que é importante se inovar a cada dia, seja na forma de vender ou tratar o seu cliente. “A inovação vem da observação e te dá a garantia de diferenciação no mercado”, relata Cris. 

Segundo ela, é essencial ajudar os clientes na tomada de decisão. Mas para isso, é preciso saber muito quem são os clientes e como estão consumindo. Talvez investir em um ponto de vendas, uma gôndola que desperte o interesse, etc.

É importante também ouvir os funcionários, pois estes que estão em contato direto com os clientes e assim, podem dar informações mais precisas.

O que podemos aprender…

O que mais chama a atenção em toda a trajetória de Cris Arcangeli é o poder que ela tem de se reinventar e não é qualquer desafio que a faz desistir, muito pelo contrário. Essa capacidade de se transformar e sempre olhar para a frente e encontrar oportunidades é o que a levou ao sucesso.

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Resumindo, ela criou o primeiro evento de moda do país, o Phytoervas Fashion, e o Phytoervas Fashion Awards, onde lançou mais de 60 estilistas com um público recorde de 61 mil pessoas. E não parou por aí. Desenvolveu a primeira loja de novos estilistas, a primeira sala de personal trainer e em 1990, lançou a PH Arcangeli, a primeira distribuidora de marcas de cosméticos internacionais, com nomes como Chanel, Clinique e Carolina Herrera. 

Ela sempre demonstrou ter a veia empreendedora e lançar algo novo era seu objetivo, ou seja, seu lema estava pautado na inovação. Tanto que todos os seus negócios foram um sucesso, sendo cobiçados por outras empresas.

A sua maior preocupação nunca foi com o dinheiro, mas pela paixão por um conceito, e isso que a move constantemente, mesmo com as maiores dificuldades.

Fracassos são normais em qualquer negócio, o pulo do gato é ser capaz de se reerguer e aprender com tudo isso, e com certeza, com muito mais força, vontade e determinação.

Atualmente…

Atualmente, é CEO na Beauty’in e sócia do Fundo de Investimento Phenix. Além disso, é conselheira da Endeavor e diretora do CJE da FIESP. 

E sem falar que tem um programa na Rádio Alpha FM, um blog de saúde, beleza, moda e bem-estar e está presente em todas as redes sociais, produzindo conteúdos para mais de 1 milhão de seguidoras. 

Toda a sua trajetória se reflete em diversas palestras que ela faz sobre empreendedorismo, empoderamento feminino, beleza e inovação, não só no Brasil, mas em vários outros países.  

Então, sua vasta experiência em gestão incentiva empreendedores a pensarem fora da caixa, a sempre buscarem disposição para enfrentar qualquer tipo de desafio e não se acomodarem com o sucesso.

Vale a pena pensar no que a própria Cris diz e porque é chamada de antifrágil: “Seja antifrágil nos negócios, ou seja, reinvente-se até dar certo. Acredite, saiba digerir os problemas e os desafios. Transforme e execute. Faça dos erros, os acertos”. 

Qualquer empreendedor deveria ler essa frase todos os dias e, se possível, tentar implementar algumas dessas ideias em seus negócios. Encontrar nos problemas e desafios, oportunidades de crescimento ou quem sabe ideias para outros negócios.

E no caso da Cris, não foi qualquer obstáculo que a derrubou, foi exatamente o oposto. Foi o que lhe deu mais força e motivação para continuar!

Na hora de construir uma marca…

Quando se trata de construir uma marca, Cris Arcangeli diz que é um trabalho diário, onde foca em estratégias de marketing e na experiência de compra do cliente. A ideia aqui é não entrar na concorrência por preço, porque o mais barato sempre vai ganhar.

Por isso que é fundamental dizer sempre a verdade e nunca fazer falsas promessas para os clientes. Isso é o que estrutura a credibilidade de uma marca, pois uma empresa que transmite confiança e tem boa reputação, tem muito mais chances de ser escolhida pelo consumidor.

Como você viu, a trajetória de Cris no mundo dos negócios deveria ser um exemplo para muitos empreendedores, pois mostra que quando somos apaixonados por um conceito, não existe nada que nos impede de alcançarmos os nossos objetivos, melhor, nossos sonhos.

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