A importação da China cresce a cada ano para quem trabalha no atacado e no varejo, pois essa operação ajuda a reduzir custos e aumentar o lucro.
Do mesmo modo, o MEI já representa quase 70% de todos os CNPJs ativos no Brasil, com milhões de pequenos negócios espalhados pelo país. Muitos desses empreendedores olham para a China em busca de preços melhores e margens maiores.
O interesse cresce junto com a popularidade de produtos chineses, que já dominam boa parte das lojas e do e-commerce nacional. Mas, será que o MEI pode mesmo importar para revender, e até quanto pode comprar sem sair da categoria?
Essas perguntas aparecem com frequência entre quem está começando um pequeno negócio. Neste artigo, você entende como funciona essa operação em 2026, do limite de faturamento até o passo a passo completo.
MEI pode importar da China?
Sim, o MEI pode importar da China para revender. A legislação trata o MEI como uma empresa, com CNPJ próprio, e isso garante esse direito, pois qualquer empresa com CNPJ, desde que habilitada, pode importar da China para revenda.
A compra internacional em pessoa física só serve para uso e consumo próprio, nunca para revenda. Por isso, quem quer comprar da China para vender no Brasil precisa de um CNPJ, mesmo que seja o mais simples de todos. O MEI foi criado exatamente para atender esse tipo de pequeno empreendedor, que não tem um faturamento alto e quer fugir da burocracia.
Nesse sentido, o MEI segue exatamente as mesmas regras de importação de qualquer outra empresa brasileira. Não existe um processo simplificado ou uma via exclusiva para quem está nessa categoria.
Limite de faturamento e de compras do MEI em 2026
O teto anual do MEI segue em R$ 81 mil em 2026, o mesmo valor vigente desde 2018. Esse limite equivale a uma média de R$ 6.750,00 por mês, embora não exista um teto mensal fixo. O que conta é sempre a soma acumulada ao longo do ano-calendário.
Por causa desse teto, existe também um limite para as compras: o MEI não pode adquirir mercadorias acima de 80% do seu faturamento anual. Na prática, isso trava as importações em até R$ 64.800,00 por ano. Portanto, o MEI só pode importar da China até este valor.
E esse valor precisa somar tudo: produto, frete, seguro e impostos pagos na importação. Portanto, é fundamental simular o custo total antes de fechar qualquer pedido com o fornecedor chinês. Assim, você não ultrapassa o teto sem perceber e compromete o enquadramento no regime.
Vale ficar de olho: projetos de lei em tramitação no Congresso propõem elevar o teto do MEI para até R$ 150 mil. Isso também aumentaria o limite de compras de forma proporcional. Até a publicação deste artigo, porém, nenhum projeto havia sido sancionado. O limite de R$ 81 mil segue valendo para todas as operações de 2026.
O que você precisa para importar sendo MEI
O primeiro requisito é ter o MEI ativo e regular, sem pendências junto à Receita Federal. Sem isso, nenhuma etapa seguinte consegue avançar, e o pedido de habilitação pode ser recusado logo no início.
É importante frisar que não existe um CNAE específico para importação. O que importa é o CNAE ligado à venda do produto que você pretende trazer da China, dentro da lista permitida ao MEI.
Se o comércio do seu produto não estiver entre as atividades liberadas para o MEI, você precisará regularizar essa situação antes de importar. Consulte a lista atualizada de CNAEs permitidos no Portal do Empreendedor antes de escolher o fornecedor, para não ter surpresas depois da compra fechada.
Além disso, para importações formais acima de US$ 3 mil, que não são da modalidade Simplificada sua empresa precisa de habilitação no Radar Siscomex. A modalidade da habilitação Limitada, com teto de US$ 50 mil por semestre, costuma atender bem o volume do MEI. Isso acontece porque o limite anual de compras da categoria fica bem abaixo desse teto.
Passo a passo para importar da China com o MEI
O processo de importação do MEI segue as mesmas etapas de qualquer outra empresa. Não existe atalho ou modalidade exclusiva para essa categoria. Confira o caminho completo, do produto até a entrega.
- Escolha o produto e o fornecedor: Pesquise em sites como Alibaba, Pindau ou 1688, e compare preços, avaliações e amostras antes de negociar.
- Peça o Proforma Invoice: Esse orçamento formal detalha produtos, valores e condições da compra com o fornecedor.
- Simule os custos totais: O cálculo mostra o valor final da operação e ajuda a confirmar se ela cabe no seu limite de compras.
- Pague o fornecedor: Use uma corretora de câmbio ou a própria plataforma que você comprou para fazer o pagamento com segurança.
- Envie a carga para um armazém na China: Uma assessoria de importação recebe o pedido do fornecedor e prepara tudo para o embarque.
- Escolha o transporte e contrate o seguro: O modal aéreo é mais rápido; o marítimo, mais barato para volumes maiores e mais utilizado. Veja com sua assessoria ou seu agente qual modalidade é mais vantajosa para você.
- Passe pelo desembaraço aduaneiro: Um despachante cuida do pagamento de impostos (que são devidos como um CNPJ maior) e da liberação junto à Receita Federal.
Depois da liberação, a carga chega até você, pronta para revenda com nota fiscal emitida através de uma transportadora.
Erros comuns que o MEI comete ao importar
Alguns deslizes aparecem com frequência entre quem importa pela primeira vez como MEI. Conhecer esses erros ajuda a evitar prejuízo e dor de cabeça.
O primeiro erro é não acompanhar o limite de compras ao longo do ano. Muitos empreendedores somam apenas o valor do produto e esquecem de incluir frete, seguro e impostos na conta.
Outro erro comum é pular a habilitação no Radar Siscomex. Sem essa habilitação, a carga fica retida até a regularização, o que gera custo extra de armazenagem.
Também é comum o MEI esquecer de emitir a Nota Fiscal de Entrada por Importação. Como essa nota não é exigida nas vendas comuns, muitos empreendedores não têm o hábito de emiti-la, mas na importação ela é obrigatória.
Por fim, alguns escolhem um CNAE incompatível com o produto importado. Isso trava a revenda mesmo depois da mercadoria já ter chegado ao Brasil regularizada. Verificar essa compatibilidade antes de negociar com o fornecedor evita retrabalho e atraso no lançamento do produto.

Impostos e nota fiscal na importação do MEI
Na importação, o MEI paga os mesmos impostos de qualquer outra empresa. Os benefícios do Simples Nacional, como o DAS reduzido, não se aplicam aos tributos sobre a mercadoria importada.
As alíquotas seguem a NCM de cada produto, sem exceção para o MEI. Por isso, vale simular esse custo com atenção antes de fechar o pedido. Ele conta dentro do seu limite anual de compras e influencia diretamente a margem de revenda.
Outra obrigação importante é a emissão da Nota Fiscal de Entrada por Importação. Mesmo que o MEI não emita nota fiscal nas vendas comuns para pessoa física, essa regra muda na importação: a nota se torna obrigatória.
Para emitir essa nota, procure a Secretaria de Fazenda do seu estado ou município. Assim, você consegue a liberação necessária, seja pelo sistema estadual ou por um ERP próprio, e evita atrasos na regularização da carga.
Vale a pena importar como MEI?
Para começar, importar como MEI funciona bem e exige pouco investimento inicial. O modelo permite testar produtos e validar a demanda antes de crescer o negócio, com um risco financeiro bem menor.
Com o tempo, porém, o limite de R$ 81 mil tende a travar quem escala as vendas. Muitos importadores migram para Microempresa justamente por causa desse teto, e isso costuma acontecer mais rápido do que o esperado.
Essa migração não é um problema, mas um sinal de crescimento. Como Microempresa no Simples Nacional, o limite de faturamento sobe para R$ 360 mil por ano. Isso libera volumes de importação bem maiores e abre espaço para novas negociações com fornecedores.
Portanto, comece como MEI se está testando o mercado. Mas acompanhe seu faturamento de perto e planeje a mudança de categoria assim que o negócio crescer, para não ser pego de surpresa pelo desenquadramento.
Perguntas frequentes sobre importar da China com o MEI
Qual o limite de importação do MEI em 2026?
O limite é de R$ 64.800,00 por ano, equivalente a 80% do teto de faturamento de R$ 81 mil.
MEI precisa de Radar Siscomex para importar?
Sim, para importações formais acima de US$ 3 mil. Abaixo desse valor, a Importação Simplificada dispensa essa habilitação.
MEI paga menos imposto na importação?
Não. Os impostos de importação seguem a mesma alíquota de qualquer empresa, sem desconto para o MEI.
O que acontece se o MEI ultrapassar o limite de compras?
O excesso pode comprometer o enquadramento na categoria, levando à migração obrigatória para Microempresa.
Qual a diferença entre MEI e Microempresa na importação?
A ME não tem teto de R$ 81 mil nem limite de 80% para compras, o que permite operações bem maiores.
Existe CNAE específico de importação para o MEI?
Não. O que vale é o CNAE ligado à venda do produto, desde que essa atividade esteja liberada para o MEI.
Importação Digital: a forma mais simples de importar sendo MEI
Cuidar dos documentos de importação, transporte e desembaraço sozinho consome tempo que o MEI raramente tem sobrando. O Importação Digital, da China Gate, resolve essa etapa toda para você.
Com o container compartilhado, sua empresa divide frete e armazenagem com outros importadores. Assim, mesmo o limite mais apertado do MEI cabe dentro de uma operação viável e lucrativa, sem exigir grandes volumes por pedido.
Você escolhe o produto e o fornecedor na China e pede o envio ao nosso armazém em Yiwu. A partir daí, nossa equipe cuida de tudo: consolidação da carga, frete, desembaraço aduaneiro e entrega com nota fiscal emitida.
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